ok - Uma breve história da prostituição em Paris


Há cerca de 1200 anos a prostituição está presente nas ruas de Paris. A história da prostituição na cidade é uma sucessão de períodos de tolerância e repressão, embora com características tais como um período relativamente longo de tolerância de bordéis.

Às vésperas da Revolução Francesa, estimavam-se 40.000 prostitutas em Paris, sendo 10.000 prostitutas de luxo. A rue Saint-Denis é a mais conhecida mas vários bairros conheceram um passado bem agitado.




Frequentemente proibida, às vezes tolerada e atualmente clandestina, o comércio dos prazeres tem uma longa história em Paris. A rue Saint-Denis é a que concentra a maior porcentagem da prostituição parisiense, e isto há mais de 1200 anos!


Carlos Magno, no século IX, havia tentado ir à caça das “moças públicas” do bairro, ameaçando-as de açoitamento. Depois, Louis IX, no século XIII, as expulsou para fora dos limites da muralha de Philippe Auguste. É justamente nessa época que surge a palavra bordel, pois as prostitutas construíram seus barracos à beira de Paris, que os clientes chamavam de bordas e e cujos guardiões foram apelidados bordelières.


Chez Suzy en 1932 – Brassaï

Com a construção da muralha de Carlos V, as ruas “especializadas” que tinham agora nomes bem explícitos, como Brise-Miche, rue Gratte-cul (hoje em dia rue Dussoubs), voltaram a ser parte integrante da cidade. A partir desse momento, o município e o clero assumem o controle da atividade. Começam a aparecer os bordéis públicos financiados pela cidade e controlados pelas abadias.

No século XVIII, a prostituição parisiense se concentra nas Tuileries e nas galerias do Palais-Royal, onde as mulheres são chamadas de castores ou andorinhas. Esses locais serão abandonados no século seguinte emfavor de passagens cobertas mais modernas e melhores frequentadas, como a Passagem des Panoramas, nas quais trabalham as Panoramistes.


La rue Quincampoix et ses hôtels de passe en 1932 – Brassaï

Na mesma época, a delegacia de polícia de Paris legaliza as “casas de tolerância”, reconhecíveis por um grande número pintado sobre vidro colorido. Ainda resta um atualmente no número 36 da rue Saint-Sulpice. As moças deveriam se inscrever na delegacia e depois em uma das casas.


Com a prostituição surgem as publicações de numerosos guias dos melhores endereços da capital, como o Guia Rosa ou o Almanaque das Senhoritas de Paris. E entre os melhores endereços, o Chabanais, no número 12 da rua de mesmo nome, foi sem dúvida o mais célebre! Por trás de sua fachada discreta, o lugar era conhecido por seus quartos de decoração exótica (o quanto indiano, o quanto japonês...) que atraia uma clientela de qualidade vinda de toda a Europa: do rei Eduardo VII à Maupassant, foram inúmeras as celebridades que compareciam ao Chabanais.


Apesar do estabelecimento de um sistema de vigilância sanitária, a propagação de doenças venéreas seria o ponto de partida para a votação de um projeto de lei para o fechamento dos bordéis, iniciado por uma antiga prostituta, Marthe Richard, em 1946. O Chabanais, assim como 180 outros estabelecimentos fecharam suas portas em Paris. Essa lei iria proibir também a solicitação e proxenetismo, mas iria resultar no nascimento de muitos estabelecimentos clandestinos.


A Rue Saint Denis ainda permanecerá um símbolo da prostituição em Paris, também a nível internacional. A atriz Shirley MacLaine, que fez o papel de Irma La Douce em um famoso filme dos anos 60 veio fazer um "estágio" na Rue Saint-Denis por uma semana para estudar a linguagem, comportamento e costumes das prostitutas parisienses.


Fonte: Pariz Zig Zag

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