ok - Paris e os cavalos

Paris sempre contou com uma grande população equestre. No final do séc. XIX, a força de tração dos cavalos era utilizada para puxar ônibus, bondes, toneis de lixo ou de materiais de construção. Praticamente todas as corporações utilizavam os cavalos para seus deslocamentos e muitas profissões existiam somente por causa deles, como os cocheiros, seleiros, fabricantes de rodas e muitos outros. As mansões eram equipadas para acolher cavalos e carros e as grandes lojas tinham seus estábulos nas proximidades: rue du Bac para o Le Bon Marché e na île de la Cité para o Bazar de l'Hôtel de Ville.


Dentre as corporações que utilizavam os cavalos como força motriz, destacava-se a CGO - Companhia Geral de Ônibus, que possuía cerca de 16 mil animais. Cada animal possuía uma matrícula e trabalhava de 3 a 4 horas por dia e percorria 18 km. Já naquela época, por volta dos anos 1870, a legislação impedia que se ultrapassasse esse tempo de trabalho efetivo. De tempos em tempos, os cavalos eram enviados ao campo para descansarem, já que seu trabalho era árduo. Pode-se imaginar o trabalho para a CGO para abrigar todos esses animais em Paris.


Os cavalos iam desfilar no Bois de Boulogne e, para se chegar lá, atravessavam a avenida Champs Elysées. Assim, natural que no caminho por onde os animais passavam surgir as lojas dos seleiros, dos carroceiros e outros artesãos, que alcançaram renome internacional. Após o fim da utilização dos cavalos como força motriz, cedendo lugar aos carros, naturalmente as lojas deram lugar às concessionárias automobislísticas que vemos hoje na avenida.


Entretanto, devido à grande população de animais e à fome devido ao sítio de Paris pela Prússia, começam a surgir os primeiros açougues especializados em carne de cavalo. Importante frisar que, no início do séc. XIX, comer a carne desse animal era tabu, totalmente inconcebível e até proibida pela Igreja e pela lei. Suas primeiras utilizações foram para os detentos e indigentes e somente anos mais tarde é que foi difundida sua utilização para a alimentação humana.


Banquetes começaram a ser organizados para apresentar a iguaria aos paladares mais reticentes e em 1866 foi promulgada a lei que autorizava o consumo humano da carne de cavalo desde que sua venda fosse seriamente inspecionada. Muitos consideravam esta a melhor forma de se abater os animais mais velhos, que teriam um fim mais "digno", se é que se pode considerar assim.

As virtudes da carne de cavalo começaram a se difundir: ela era vendida como fortificante ,e por ser mais barata que a carne bovina, tornou-se amplamente popular. Até hoje é possível encontrar por Paris o local desses antigos açougues, onde a cabeça de um cavalo em pedra ou em mosaico indica que ali era o local desse comércio.


Cavalos como opção ecológica

Desde 1999 que os cavalos são utilizados para efetuar trabalhos de cuidados no Bois de Vincennes. Essa opção se revelou mais barata que utilizar um trator e muito mais ecológica. De acordo com as estações do ano, as tarefas variam: no verão eles transportam resíduos verdes como folhas, galhos, etc. No inverno, transportam madeira para aquecimento, dentre outras tarefas.


Os cavalos e suas posturas

Analisando as posturas equestres, pode-se afirmar que a imagem de um cavalo marchando é associada a um símbolo de paz ou clemência enquanto que a de um cavalo empinado ou em galope denota uma força vitoriosa, como as muitas nas quais vemos Napoleão retratado. E por falar em Napoleão, sabia que ainda hoje é possível ver um de seus cavalos (devidamente empalhado) no Musée de l´Armée?


Fonte: Curiosité de Paris - Dominique Lesbros

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